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O amor que se diz em voz alta

Há sentimentos que vivem bem no silêncio.

Mas o amor, quando amadurece, pede palavra. Não para ser explicado — porque o amor não se deixa reduzir a conceitos —, mas para ser revelado.




Na celebração, as palavras não surgem para ensinar o que é amar. Elas surgem para dar corpo ao que já existe. São pontes entre o que o coração sente e o que o mundo precisa escutar. Quando o amor se diz em voz alta, ele deixa de habitar apenas o íntimo e passa a morar também na memória.


Dizer o amor é um gesto de coragem. É expor o que é precioso. É permitir que o outro, os convidados, o tempo e a própria vida se tornem testemunhas. Por isso, na cerimônia, cada palavra importa. Não qualquer palavra, mas aquela que nasce da história, do caminho percorrido, das alegrias e das dores que ensinaram a amar.


Há palavras que soam bonitas, mas não tocam.E há palavras simples que, ditas no momento certo, atravessam o peito e permanecem.


O que emociona não é o excesso, mas a verdade.


Quando os noivos dizem seus votos, não estão fazendo um discurso. Estão oferecendo ao outro aquilo que aprenderam a chamar de amor. Palavras imperfeitas, às vezes trêmulas, mas cheias de sentido. Porque o amor verdadeiro não precisa ser adornado; precisa ser reconhecido.


A celebração é o lugar onde o amor ganha voz sem perder delicadeza. Onde o silêncio também fala. Onde cada frase carrega mais do que som — carrega intenção, promessa, cuidado.


E há algo de profundamente humano e sagrado nesse gesto. A palavra dita em voz alta cria vínculo. Ela compromete. Ela constrói realidade. Quando alguém diz “eu prometo”, “eu escolho”, “eu fico”, algo se transforma no invisível.


As palavras não explicam o amor. Elas o tornam visível.

 
 
 

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